"Que toda energia negativa que chegue até aqui se transforme em amor..."

quinta-feira, 2 de agosto de 2012


“É agosto e tudo está de pernas fechadas: sem prazer. Tudo fora do lugar. Menos a chuva que caiu tão repentinamente quanto a minha vontade de pegar o papel e (tentar) fazer o parto de alguma emoção indefinida. Eu precisava muito dormir pois acordo daqui a pouco para viver uma vida que eu nem sei se é minha. Mas é agosto e eu preciso seguir em frente, mesmo que seja sozinha. Hoje eu tive vontade de ter um sonho grande que me fizesse ver luz no mundo mesmo ele estando agosto da chuva. Tive vontade de fazer ou escrever algo que mudasse o rumo de alguém, já que o meu eu não encontro. Mas eu não sei escrever. Só sei soletrar o que sinto sem sentido. O vazio do peito não me deixa ter um sonho porque sonhar é coisa de gente que põe razão no que sente e caminha determinado à uma direção qualquer. 
Eu passei estes dias trocando as pernas, deformando conceitos e me reconfigurando de algo desconfigurado. Amanhã quando eu colocar os meus pés no chão da chuva serei apenas mais uma. Mais uma com fones de ouvido no ônibus indo para a faculdade. Mais uma com medo de ser atropelada por um carro, pessoa ou palavra. Mais uma dormindo no ônibus porque tomei café demais e passei a noite escrevendo. Mais uma indo ao médico errado porque o que dói não tem cura. Mais uma sonhando em não ser apenas mais uma e parando na metade. Porque a outra metade do caminho está na tinta que ainda não saiu da caneta, graças ao meu medo de que nasça morto.”

Amanda Ferreira


Nenhum comentário: