"Durante a vida inteira passam vários, eu sei. Baixinhos, altões, loiros, morenos, ruivos, musculosos, fracos, fortes, homens, meninos, garotos, crianças. Passam todos aqueles que te marcam por fora porque não penetram no fundo do que não tem cor, forma, nem tamanho. E eles vem e vão, às vezes dão tchau, outras nem isso. Uns deixam um fio de cabelo no prato, outros um vômito no tapete, outros uma ferida na perna, outros um aperto no peito e todos desgosto. Apesar dos pesos, te fortalecem. E saem afetados no cérebro, pobres, pobres, pobres. Afinal, amar não é para qualquer um e ser o cara da vida de uma mulher é quase para nenhum. Passam todos. Mas tem sempre um que vai viver pra sempre.
Aquele que tinha o sorriso do formato do mundo. O que não tinha tamanho. O que construía no abraço um lugar de matinho verde puro da manhã e cheiro de flor única no meio da estrada. Aquele do laço que não desata, da fila que não anda, do vento que não leva, da menina que o tempo roubou. Ele pode passar como os outros. Pode nunca voltar. Mas ele vive pra sempre. Afinal, matinho verde com cheiro de flor com o mundo no sorriso dentro de um abraço não tem forma, nem tamanho. O vento não vê. O vento não leva. Vive, penetra e marca... pra sempre..."
Por Amanda Ferreira

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