"Eu só queria alguém que me desse a mão para travessar essa ponte que parece não ter fim. Alguém que tivesse orgulho de mim, mesmo quando eu venho da rua com o delineador borrado porque eu acho o mundo inteiro triste demais. Alguém que entendesse que eu não sei ser superficial e se atirasse comigo, em qualquer lugar, qualquer coisa, qualquer palavra infinita. Alguém que pusesse uma flor no meu cabelo, como na música do Jason Mraz. Alguém que me reconhecesse num deserto de almas, como no conto do Caio Fernando Abreu. Alguém que me achasse impossível como no livro da Clarice Lispector, mas me quisesse fazer possível. Alguém que me ensinasse a solidão de ser dois, como na música da Maria Gadú. Alguém que arrancasse páginas de dentro de mim desde o primeiro dia, como diz o Chico Buarque. Alguém que tivesse guardado para mim o amor que aprendeu vindo dos pais, como falou o Nando Reis. Alguém que achasse que fomos feitos muito pra nós dois, como na canção do Caetano Veloso. Alguém que achasse o meu amor precioso, como na música do James Morrison. Alguém que encontrasse forças na minha mania de rir de tudo e um pouco de chão na minha neurose, como no texto da Tati Bernardi. Alguém que também estivesse perdido e visse na minha solidão um mundo onde as coisas são nossas, como nos meus sonhos. Alguém que transformasse as minhas dúvidas em motivos para seguirmos em frente, de mãos dadas, sempre."
Por Amanda Ferreira
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